38 – Por que precisamos de um gestor de tráfego?

Hayek argumenta que o conhecimento está disperso por toda a sociedade; portanto, um esforço para centralizar as decisões sobre a alocação de recursos diminuiria apenas o bem-estar dos indivíduos. Por isso, devemos permitir que indivíduos privados tomem decisões e evitem o planejamento central das decisões, tanto quanto possível. A adoção dessa abordagem para o gerenciamento de tráfego produziria maus resultados? Com a tecnologia atual e altos volumes de tráfego, sim, com tecnologia de direção autônoma futura ou com baixos volumes de tráfego, provavelmente não.

Por exemplo, veja a Rua de Santa Catarina no Porto, Portugal (ou qualquer outra rua / praça de pedestres): o volume de pedestres é bastante alto, equivalente ao volume de tráfego em uma rodovia nos horários de pico. Mas, esta rua não tem direção. De fato, os pedestres podem andar livremente, eles só precisam negociar uns com os outros. Nesse caso, você não precisa de um gerente de tráfego que diga às pessoas, por meio de sinalização de trânsito, como usar a infraestrutura. O conhecimento empírico / senso comum é disperso e usado sabiamente pelos pedestres para gerenciar o tráfego.

Isso só pode acontecer dessa maneira porque há muito espaço disponível (ou seja, o pedestre não ocupa uma “faixa de tráfego” completa como um carro), os pedestres podem esbarrar uns nos outros e suas velocidades são muito baixas. Sem nenhuma dessas condições, alguém deve gerenciar o tráfego de cima, assumindo uma posição monopolista, ou seja, não podemos ter dois ou mais gerenciadores de tráfego. Esse trabalho inevitavelmente acaba nas mãos do proprietário da infraestrutura, ou seja, do governo local. Então, acabaremos com um monopólio estatal!

Mas o monopólio estatal é um subproduto da necessidade de um gestor de tráfego. Imagine um shopping, um grande condomínio, a Disneyworld, um grande aeroporto, um resort, uma grande fábrica. Esses locais possuem um gerente de tráfego privado: possuem agendamentos de carga e descarga, orientações de trânsito, sinalização vertical e horizontal, câmeras, muitos têm até pequenos sistemas de transporte público. Ou seja, precisamos de um gerenciador de tráfego (que, no entanto, pode ter competências mínimas!). Essa função nas cidades acaba sendo de responsabilidade da prefeitura, porque a cidade é “pública”. Em uma cidade privada, essa função também seria a de um gerente monopolista.

Os sistemas de água ou esgoto de uma cidade poderiam funcionar sem um gerente monopolista? A grande vantagem de gerenciar a oferta de cima para baixo são os ganhos de escala, mas isso não significa que devemos ignorar iniciativas privadas e conhecimento de baixo para cima. Para concluir: devemos eliminar a figura do gestor de tráfego? Não, mas devemos reformá-la profundamente.

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