34 – Entrevista com Donald Shoup

Marcos Paulo Schlickmann, especialista em mobilidade urbana e colaborador do Caos Planejdo, recentemente entrevistou Donald Shoup, professor de UCLA e também conhecido como o principal especialista em estacionamento no mundo, que respondeu perguntas sobre estacionamentos públicos e privados.

Confira no Caos Planejado e no Market Urbanism!

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33 – Guia de Gestão Urbana – Download

O Guia de Gestão Urbana está disponível para download gratuito. É possível também comprar a versão impressa.

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32 – Guia de Gestão Urbana

17636953_10212609323490669_7669938293837901242_oLANÇAMENTO: GUIA DE GESTÃO URBANA

O “Guia de Gestão Urbana”, publicado pelo Caos Planejado em parceria com a Editora BEI/ArqFuturo, analisa uma série de regulações aplicadas no território urbano brasileiro, mostrando que muitas das premissas que as originaram não foram atendidas e trouxeram consequências negativas para o espaço urbano. O guia também teve colaboração especial de Marcos Paulo Schlickmann, especialista em mobilidade urbana do Caos Planejado.

No lançamento, Ling debaterá gestão urbana com Victor Carvalho Pinto (fundador do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico), Rodrigo Agostinho (ex-prefeito de Bauru e gerente executivo do programa de cidades e territórios do Instituto Arapyaú) e o jornalista Raul Juste Lores.

O evento será aberto e gratuito, com inscrições através do link disponível na página do evento.

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31 – Transporte e Liberalismo

Já está à venda o livro “Transporte & Liberalismo“. Aqui fica o 1º parágrafo do capítulo que escrevi: “Transporte coletivo e iniciativa privada: Soluções de mercado para a mobilidade urbana”:

Ecapaste capítulo irá tratar do papel da iniciativa privada no transporte coletivo urbano público ou privado. Primeiramente é apresentada a realidade atual da maioria dos municípios brasileiros que privilegiam a competição pelo mercado, através de concessões públicas, em detrimento da competição no mercado. Apesar das externalidades negativas causadas por esta última, como disposto no subcapítulo sobre o
transporte alternativo, ela deve ser incentivada e regulada de forma inteligente e sem excessos, podendo seguir uma das quatro formas possíveis de regulação apresentadas, com especial destaque para a regulação Curb Rights. Antes de concluir, este trabalho ainda apresenta um novo meio de transporte inovador e disruptivo trazido pela economia compartilhada, o microtransporte. O capítulo se encerra afirmando, mais uma vez, que o poder público deve escutar e receber de braços abertos a iniciativa privada, oferecendo somente o enquadramento regulatório necessário para que estes sistemas de transporte coletivo privado prosperem, diminuindo assim os níveis de engarrafamento, poluição e acidentes, além de tornar nossas cidades mais convidativas e sustentáveis.

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30 – O início do rodoviarismo

O Diário de Noticias publicou uma foto esclarecedora:
http://150anos.dn.pt/2014/11/21/06

Mostra uma faixa na Rua do Carmo, Lisboa em 1935 com os dizeres:
“Peões: por favor, transitem pelos passeios”.

(Peão é pedestre em português brasileiro.)

Esta campanha de 1935 vem confirmar o que eu chamo de Rodoviarismo: A adaptação, a qualquer custo, da cidade aos automóveis.

Ainda neste tópico:
http://www.veraveritas.eu/2012/07/queremos-as-nossas-cidades-de-volta.html
http://www.copenhagenize.com/2012/02/jaywalking-and-motor-age.html
http://caosplanejado.com/ruas-para-pedestres/

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29 – Caos Planejado

Olá,

Foi lançado o primeiro portal sobre cidades, totalmente em Português: http://www.caosplanejado.com

Eu vou colaborar com esse site na área de mobilidade urbana e transportes. Abaixo o link para o meu 1º texto:

http://caosplanejado.com/os-transportes-e-o-acesso-as-oportunidades/

Entretanto o blog Transportação ficará em stand-by, pois irei me didicar ao novo projeto.

Abraços!

 

 

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28 – Conversa com um Engenheiro de Tráfego

O vídeo a seguir é muito interessante. Apesar de ser relativamente antigo (2010) e retratar a realidade americana, ele se aplica ao que se passou nos últimos anos e ainda se passa no Brasil e em Portugal, no que tange ao planejamento urbano e dos transportes excessivamente focado no automóvel.

O vídeo está em inglês e sem legendas em português. No entanto, traduzi-o e coloquei o diálogo abaixo.

Vejam então o vídeo ou leiam o diálogo e depois eu volto para fazer algumas observações.

__________________________________________________________

  • Engenheiro: Olá, eu sou o engenheiro de tráfego. Eu soube que você tem algumas dúvidas a respeito das obras rodoviárias previstas para o seu bairro.
  • Moradora: Sim. Eu soube que vocês planejam melhorar minha rua. O que isso vai significar para o meu bairro?
  • E: Nós vamos corrigir deficiências de nivelamento e também problemas no alinhamento existente. Nós também vamos aumentar os acostamentos/bermas* com o objetivo de melhorar os níveis de segurança.
  • M: Então vocês vão tornar a rua mais segura?
  • E: Sim, com certeza.
  • M: E como vocês vão tornar a rua mais segura?
  • E: Bem, primeiro vamos corrigir deficiências de nivelamento e também problemas no alinhamento existente.
  • M: O que isto significa?
  • E: Significa que o nivelamento e alinhamento atuais não cumprem os níveis de segurança e então nós vamos corrigir isso.
  • M: Qual são os níveis de segurança?
  • E: Basicamente a rua deve ser plana e reta.
  • M: Então vocês vão tornar a rua plana e reta?
  • E: Sim.
  • M: Como isso melhora os níveis de segurança?
  • E: Vai permitir que o tráfego flua melhor tornando-o mais seguro.
  • M: Eu não entendo.
  • E: Juntamente com corrigir deficiências de nivelamento e alinhamento nós também vamos alargar as vias de tráfego.
  • M: O que isso vai causar?
  • E: Vai melhorar a segurança.
  • M: Como alargar as vias de tráfego melhora a segurança?
  • E: Juntamente com corrigir deficiências de nivelamento e alinhamento, vai permitir que o tráfego flua melhor.
  • M: O que você quer dizer por permitir que o tráfego flua melhor? Como isso melhora a segurança?
  • E: Os carros vão poder passar sem se preocupar em bater em coisas e então vai ser mais seguro e por isso nós também estamos aumentando o acostamento/berma.
  • M: O que você quer dizer por aumentar o acostamento/berma?
  • E: Nós vamos remover obstáculos do acostamento/berma para melhorar os níveis de segurança.
  • M: O que é o acostamento/berma?
  • E: É a área em cada lado da rua que devemos manter livre de obstáculos caso algum carro saia da rua.
  • M: Que tipo de obstáculos?
  • E: Principalmente árvores.
  • M: Então vocês vão retirar as árvores do acostamento/berma para melhorar os níveis de segurança?
  • E: Sim exatamente.
  • M: Qual o tamanho do acostamento/berma?
  • E: O acostamento tem 7 metros em cada lado da rua.
  • M: 7 metros…isto é todo o meu jardim!
  • E: Me desculpe, mas para atender os níveis de segurança todos os obstáculos devem ser removidos do acostamento/berma.
  • M: Você entende que meus filhos brincam no acostamento/berma?
  • E: Eu não recomendaria isso, não seria seguro!
  • M: Mas é seguro hoje. Eu pensei que este projeto serviria para melhorar os níveis de segurança. Como uma rua se torna mais segura se meus filhos não podem brincar nela?
  • E: Melhorando a rua para torná-la mais segura assim permitindo que o tráfego flua melhor.
  • M: Flua melhor… Os carros só vão ir mais rápido, não é verdade?
  • E: Nós vamos colocar um limite de velocidade depois de fazer um estudo de velocidade e determinaremos a velocidade segura para a rua.
  • M: Mas os carros vão devagar hoje, “devagar” é o mais seguro aqui para o meu bairro, onde as crianças brincam no jardim. Como ter uma “pista de corrida” em frente à minha porta melhora os níveis de segurança?
  • E: Vai melhorar os níveis de segurança pois o tráfego fluirá melhor.
  • M: Eu não estou ciente de nenhuma morte ou acidente nesta rua e eu vivo aqui há 30 anos. Você tem conhecimento de alguma morte?
  • E: Não, não tenho.
  • M: Eu nem sequer tenho conhecimento de nenhuma ocorrência de acidentes nesta rua. Você tem conhecimento de algum acidente?
  • E: Não, não tenho.
  • M: Então porque você diz que a rua não é segura hoje em dia?
  • E: A rua não é segura porque não atende aos níveis de segurança.
  • M: Então hoje os carros vão devagar e é seguro mas você quer nivelar a rua, endireitar a rua, alargar a rua e remover todas as árvores, para os carros poderem ir mais rápido e depois colocar um limite de velocidade para então eles irem mais devagar. E você diz que isso é mais seguro?
  • E: Sim. Vai atender os níveis de segurança e por favor entenda que há projeções de elevado crescimento de tráfego para a sua rua.
  • M: O que você quer dizer: projeções de elevado crescimento de tráfego?
  • E: Nós projetamos que muitos carros irão passar por esta rua nos próximos anos.
  • M: Por que muitos carros irão passar por esta rua? Ela é pequena e estreita e de baixa velocidade.
  • E: Por causa disso que devemos melhorá-la, para se enquadrar nos padrões de segurança.
  • M: Isso não vai simplesmente encorajar mais pessoas a usá-la?
  • E: Nós já prevemos isso e vamos adicionar 2 vias de tráfego para comportar os futuros carros.
  • M: Você vão acrescentar mais 2 vias?
  • E: Sim.
  • M: Para carros?
  • E: Sim. 2 vias a mais vão permitir que a rua se enquadre nos níveis de segurança.
  • M: Deixe-me ver se entendi: você projeta um elevado crescimento no tráfego sendo que não há quase nenhum hoje e vai aumentar a rua para comportar este tráfego. Assim você não está simplesmente encorajando mais pessoas a dirigir?
  • E: Não. Nós estamos antecipando o crescimento e precisamos fazer esses melhoramentos para dar conta do crescimento.
  • M: E onde esse crescimento vai ocorrer?
  • E: O novo crescimento ocorrerá na zona livre de impostos.
  • M: E onde é essa zona livre de impostos?
  • : A zona livre de impostos é na periferia da cidade.
  • M: Que tipo de crescimento vai ocorrer na zona livre de impostos na periferia da cidade?
  • E: Há propostas para uma mercearia, um restaurante drive-thru e um posto de combustível.
  • M: OK, Mas eu vou à mercearia aqui do bairro no outro lado da rua e eu como no restaurante subindo o quarteirão e eu não dirijo muito, logo não preciso de outro posto de combustível.
  • E: Sim nós sabemos, por isso nós planejamos uma passagem pedonal aérea para este quarteirão.
  • M: O que é uma passagem pedonal aérea?
  • E: É uma ponte que lhe vai permitir atravessar a rua com segurança.
  • M: Mas eu posso atravessar a rua em segurança agora! Meus filhos podem atravessar a rua com segurança agora! Porque eu irei precisar de uma passagem pedonal aérea?
  • E: Com 4 vias de tráfego você não vai conseguir atravessar a rua sem atrasar o tráfego. E atrasar o tráfego não seria seguro.
  • M: Mas eu não vou conseguir empurrar o meu carrinho de bebê na passagem pedonal aérea toda vez que eu queira atravessar a rua para comprar leite! Como isso me beneficia?
  • E: Você se beneficiará com a arrecadação extra de imposto proveniente do novo crescimento.
  • M: Mas o novo crescimento não é numa zona livre de impostos? Com quanto eles vão contribuir de impostos?
  • E: Nada atualmente, mas em 10 a 15 anos eles vão contribuir muito com impostos.
  • M: Por que nós vamos fazer um investimento que não vai começar a se pagar em 10 a 15 anos? Até lá a mercearia vai virar numa Loja de 1,99/Loja 300 e haverá uma outra zona livre de impostos.
  • E: Se nós não provermos os subsídios e não investirmos no melhoramento das ruas o crescimento não iria acontecer. Sem crescimento a cidade pode morrer.
  • M: Mas se eu não posso atravessar a rua a pé até a mercearia ela irá fechar. Se eu não posso caminhar até ao restaurante ele irá fechar. Ninguém vai querer comprar minha casa com uma autoestrada à porta. Você se importa que o meu bairro está morrendo?
  • E: Sim, é por isso que nós estamos investindo em novo crescimento, é por isso que estamos melhorando a rua.
  • M: Mas afinal quanto vai custar esta obra?
  • E: O custo total do projeto é de 9 milhões de dólares.
  • M: 9 milhões de dólares…nossa cidades está falida, nós não temos dinheiro para manter a iluminação pública à noite, nós despedimos 4 bombeiros e metade da força policial. De onde vamos tirar 9 milhões de dólares?
  • E: 7 milhões de dólares são do governo estadual e federal. Os outros 2 milhões de dólares serão coletados das propriedades beneficiadas pelo projeto.
  • M: O que isso significa: coletados das propriedades beneficiadas pelo projeto?
  • E: Significa que as propriedades que se beneficiam irão pagar uma parcela dos custos do projeto.
  • M: Quem se beneficia do projeto?
  • E: Todo mundo que está nesta rua.
  • M: Calma. Você está dizendo que eu beneficio do projeto e irei pagar uma parte?
  • E: Sim. Você é um dos proprietários beneficiados que terão de contribuir com o projeto.
  • M: Você deve estar de brincadeira! Eu tenho uma rua calma e sossegada hoje em dia. Meus filhos podem brincar no jardim e é seguro. Eu posso caminhar até a mercearia do outro lado da rua e ao restaurante e é seguro! Para tornar mais seguro vocês vão nivelar, alargar e endireitar minha rua e acrescentar mais duas vias de tráfego. Isso é feito por causa das projeções de tráfego porque queremos novo crescimento na zona livre de impostos na periferia da cidade. E enquanto meu bairro degrada-se e a minha casa perde valor você ainda me obriga a pagar uma parte!
  • E: Me desculpe, mas as projeções necessitam de 4 vias de tráfego e nós devemos cumprir os níveis de segurança.
  • M: E você se pergunta porque nosso país está falido! Nós precisamos parar com estes absurdos e começarmos a construir cidades fortes! Para aprender mais visite http://www.strongtowns.org.

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Como vocês puderam perceber, no vídeo uma moradora de uma rua “de bairro”, tranquila e com pouco tráfego confronta o engenheiro de tráfego responsável por um projeto de “melhoramento” na rua da moradora.

O projeto basicamente consiste numa intervenção viária com o objetivo de aumento da capacidade de escoamento do tráfego: 4 vias de tráfego, aumento dos acostamentos/bermas, melhorias ao nível do pavimento e alinhamentos. O principal objetivo do projeto é preparar tal rua “de bairro” para um futuro tráfego proveniente de novos usos do solo (que o engenheiro chama de “crescimento”) numa zona livre de impostos na periferia.

É verdade que o diálogo é um pouco absurdo. Um acostamento/berma de 7 metros não existe e um aumento de capacidade e velocidade que obrigue a passagens aéreas numa rua de bairro é pouco provável acontecer tudo de uma vez. Mas isso não invalida a premissa principal do vídeo: Beneficia-se um desenvolvimento subsidiado na periferia, que só vai criar tráfego e não vai trazer benefícios fiscais a curto/médio prazo para a cidade, em detrimento do ambiente urbano à volta, que se estraga e perde sua amenidade, valor, permeabilidade pedestre e habitabilidade, tornando a rua em questão, antes verdadeiramente segura para adultos e crianças, “segura” exclusivamente para os automóveis.

Estes projetos infelizmente ocorreram e ainda ocorrem tanto no Brasil quanto em Portugal. A ilusão do crescimento a todo custo, da viabilização da mobilidade automóvel em detrimento dos modos suaves e da “vida de bairro” ainda persiste e é cada vez mais copiada pelos países em desenvolvimento.

Mas há outras soluções! Nos Países Baixos1 desde 1973(!!!) esse tipo de desenvolvimento é proibido. Talvez tal posição dos holandeses seja um pouco extrema, pois realmente alguns empreendimentos (tipo IKEA) precisam de terrenos grandes e baratos na periferia e com boa acessibilidade automóvel. Mas definitivamente não é justo acabar com o sossego de uns em favor do progresso de outros.

Devemos construir cidades para pessoas e não para automóveis!

*A tradução correta de “clear zone” não é acostamento ou berma e sim a “área livre” lateral que inclui o acostamento/berma e eventuais canteiros laterais e drenagem. Porém usei o termo acostamento/berma para simplificar.

Referências:

1. Schwanen, Tim, Martin Dijst, and Frans M. Dieleman. 2004. “Policies for Urban Form and Their Impact on Travel: The Netherlands Experience.” Urban Studies. 41, 579–603.

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